A canção preferida de Deus

      Imagine a cena: Músicos emocionados, esbanjando toda sua paixão por Jesus durante um momento de louvor em suas igrejas, com canções que duram, no mínimo, quinze minutos, preenchidas com orações, ministrações, choro e tudo mais que gera um momento como esse. Do outro lado, no auditório do templo, congregadas, um número maior pessoas se dividem em dois grupos: o primeiro, que é a minoria, está totalmente rendida ao momento e conectado ao que Deus tem falado através dos louvores e sentindo profundamente cada letra das canções e se emocionando junto com o ministrante; o segundo pode ser caracterizado por olhares distantes e sem referência, mãos e pés inquietos esperando o fim daquela tortura espiritual para então poder novamente sentar-se ao seu estimado banco.
      Essa não é uma cena rara em nossos dias. Convivemos ainda na tensão entre a chamada igreja tradicional e renovada, sendo caracterizadas, respectivamente, como “fria” e “avivada”. Na racionalidade da igreja tradicional, o louvor precisa ser objetivo e sem arrodeios, com ministros de louvor que exponham a letra para que se siga a ordem e a reverência, quando não, precisa-se seguir o hinário com os famosos hinos épicos, e sem isso é bem provável que a igreja esteja passando por uma profunda crise de fé, com a violação de princípios importantes no relacionamento com Deus. Do outro lado, encontra-se a igreja neopentecostal com suas canções que se alongam por mais de dez minutos, recheadas de sinceridade de coração para com Deus e também muito emocionalismo, fugindo ao máximo de uma regra musical ou de hinários que tragam músicas objetivas, sem abertura para uma ministração, pois é “a marca de um tradicionalismo humano que não nos leva a Deus”
      Não quero ser juiz entre quem está certo ou errado nessa história, até por que os louvores não se direcionam a mim, nem mesmo sou conselheiro de Deus para dizer para Ele o que ouvir ou não. Preocupo-me apenas em estarmos agredindo a fé de nossos irmãos quando exigimos deles um comportamento que ele não aprendeu. Não podemos forçar as pessoas a se “derramarem na presença do Senhor”, nem também reprimi-las por não seguirem os hinários. Por muito tempo eu fui ministro de louvor em minha igreja e pensei haver algum problema com meus irmãos, pois não reagiam segundo minha expectativa quanto às canções entoadas, sentia que elas precisavam ser mais sensíveis àquele momento, se “derramarem”.
      Cometi o grande erro de enxergar mais e menos espirituais em uma comunidade onde todos precisam ter sua própria experiência com Deus para desenvolver seu relacionamento com a verdade, que é onde ouvimos o Pai e suas orientações. Somos todos guiados pela nossa própria visão, sendo que Deus vê nossa motivação, que conhece que mesmo com os olhos fechados e mãos levantadas podemos estar adorando a nós mesmos ou nossa estrutura religiosa, que conhece quando mesmo cantando canções objetivas e sem alongamento ou ministração estou quebrantado diante de Deus, com o coração sensível e certo de quem sou e quem preciso ser. As máscaras sempre nos escondem, e diante do espelho até nós podemos ser enganados. Cuidemos!



Amilton Joaquim
Casado com Alba Aureliano
Missionário e Vice presidente da JOCUM Maceió
Estudante de Relações Públicas na UFAL
e Membro da 1ª igreja Batista em Satuba - AL


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